terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A cartografia do beijo

Sempre tive uma mania de querer guardar coisas que gostasse: fotografias, caixas, memória, email. Guardo as conchas das praias que fui, pedras dos sertões que me encheram de alegria. Colecionar pequenas amostras do que mostra sua beleza. Foi nessa intenção que pensei em levar comigo algumas coisas que não posso guardar na mala. Então tive a vontade de guardar o toque do beijo para senti-lo quando eu estiver olhando para o céu ou nos momentos antes de dormir... 
Nesses momentos em que o beijo se fizesse real e presente, sentia, fazia memória, guardar a translucidez, o contato que passa rasante a palavra, mas que voa.
Porém era necessário cada vez mais o mais que captasse de novo, de novo. De novo. Vem. Doma. Aconchega. Olha nos olhos. Contorna o lábio, fecha o olhos... nada mais a dizer...
Assim como o sol necessita nascer todos os dias, é necessário que o beijo se perpetue. Onda incessante que lambe a praia.