segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

eu também esperei a chuva passar
ela continuou e eu fui mesmo assim
e se eu disser que fui nômade e presença
ainda acreditareis no meu verso?
Desejo, pergunta e palavra existem brigando
eu também vigiei o sol com minhas pálpebras fechadas
e numa noite dessas enquanto viajava
resolvi estudar cartografia no divã
para entender as cartografias do desejo
andei num mapa, cheio de memórias, linhas e arquipélagos, sertões
encontrava um tesouro de libido em cada parte.
numa dessas encontrei a esfinge, os deuses do egito, moisés e elias em forma de gente humana
perguntadores
eles foram guias que desconstruíam o mapa do édipo
me ajudando a percorrer o não-estabelecido, não era o sol e a lua eternos que diziam meu caminho, mas aqueles sapos, nômades, fiadeiras, jogadores de baralho,
liam minha mão pelas cicatrizes que haviam nela
não liam minha sorte, mas ensinavam a jogar na sorte
carregar ou levar, lugar, permanecer.