segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pedido de Fotografia

Eu lhe propus: vamos tirar uma foto? E você me pergunta: Para que? Nesse momento não pude conter um singelo riso: deixa para la... Você tinha medo de mim, como se eu fosse uma conha do mar, uma ostra que vinha para a praia, voltava para o mar e retornava num tempo sem data certa.
 Você tinha medo que eu plantasse uma raiz e eu fosse embora e aquela raiz ficasse e aquela fotografa ficasse. Paixão? Álibi de um testemunho? Dois fossem embora e alguém virasse eclipse e cristal. Não insisti  nessa fotografia, afinal não é bom brincar com essas coisas de eternidade e finitude. Coisa e momento. Sentimento. Dizem que quando Adonai ia falar com Moisés, o monte santo escurecia, acobertava-se de nuvem, raios e fumaça. Adonai, o eterno precisava de coisas volúveis - luz, fumaça, escuro - para se mostrar. Tanto eu como você, alí na eternidade do momento. Será que aquela fotografia tinha o poder de selar algo a mais? Coisa de aliança, flagrante ou ternura?
Continuemos! Você reclinou a cabeça em meu ombro, e disse que tinha olhos claros. Você beijou os meus olhos e minha boca. Longamente. Essa foi a fotografia.