segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

sinto cheiro de chuva e mato molhado
la longe o mormaço anuncia
quando coloco a cara na janela:
- chuva na terra. O caboco sembebeda!
essa tentativa inútil de simular em sí o olhar do outro
para afogar os outros com águas bentas.
as ondas do mar não se quebram
quando se jogam nas areias da praia
quem se quebra são as pedras
que se juntam na beira do mar...

Quebra, quebra estas ondas, meu bem!
tenta quebrar o que que quebra e o que se quebrou
estas alvas praias, são de pedras negras
que um dia o mar quebrou e depois lavou...

no mar não há nada que se quebre
pois tudo que há nele ja se quebrou
e este avança a alva praia
quer fazer do gente, areia:
como a pedra bruta que já se quebrou....

terça-feira, 24 de setembro de 2013

aos leitores de versorupestre

caros,
em vista das visualizações do blog, queria lançar algumas perguntas a vocês que leem e visitam minhas postagens, sobre o que acham, suas opinões a respeito do blog, o que poderia ser melhorado, bem como suas impressões!! Opinem descrevam, libertem-se!! Podem postar aqui mesmo nos coments ou pelo email: phpportela@hotmail.com
aguardo respostas!!
abraços

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

É hora, meu bem, de engomar nossas roupas
passar o ferro quente, bem na costura
sem deixar o amassado da lavagem
e das viagens
e guardar na mala que nos espera.
Fazer a tapioca, o café, manteiga da terra
bem preparado
para atravessar sertões, pontes-molhadas
cercados
colocar alecrim nos baús
e mais luzes nessas noites de breu.

Como quem está aprontando viagem
lembrando com cuidado, do que levar
coisas e lembranças.

Lavar na pedra do rio
essas roupas, algodão
com ternura e fortaleza
para alvejar, as roupas
lembranças e o coração
que percorrem comigo
essas estradas de meu deus...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sonho de ser Garrafa

Em uma pequena loja com os mais diversos vasilhames todos organizados em prateleiras, um pequeno frasco à beira da tábua suspensa la estava a pensar. Ele sonhava um dia se transformar em uma garrafa, estava cansado de sua vida enfadonha de ser um frasco. Enquanto os outros vasilhames tinham nomes bonitos como ânforas, jarras, odres, tonéis... e ele um frasco... O que fazer para eu me transformar pelo menos em uma garrafa? Interrogava-se. Talvez colocando matéria, coisas dentro de mim, e pudesse crescer, qual fermento na massa. E assim fez o pequeno frasco. Mas a cada momento que se preenchia, a matéria transbordava. Não adiantava colocar coisas dentro de si, pois as coisas escapavam. Não conseguiria deixar de ser um mililitro para ser um litro ou metro cúbico, afinal frascos foram feitos para serem diminutos. O baú que estava embaixo, consolou-o: as melhores fragâncias estão nos menores frascos! Águas paradas, águas profundas... Como poderei eu, pequeno frasco da loja, guardar a fragância ideal se não ha em mim a essência, e onde procura-la se sou feito apenas para armazenar e guardar, ja que espero que coloquem o volume dentro de mim? O bau com sua enorme boca, calou-se. Compreender como um frasco não pode ser uma ânfora, pode ser difícil. Afinal a matéria para se transmutar e se modificar necessita de força e tempo. As águas do mar necessitaram de milhares de anos, os minérios se transformam no metal à base do calor do fogo, ate os grãos de areia se juntam em dunas à custa de todo trabalho dos ventos... Como ser garrafa numa lojinha pequena? Os vasilhames foram feitos para serem vazios. Ainda que carreguem a água e o vinho, servem apenas para guardar e se esvaziar. Todos eles eram feitos de barro, vidro e porcelana. São duros, porém frágeis e dependentes das mãos de quem manuseia, traz e leva. Quanto mais vazios mais o risco de se esfacelarem seria maior, pois seria mais pesados, maiores, mas vazios. Até que aconteceu que as prateleiras começaram a romper e todos os vasilhames caíram no chão transformando-se em pequenos fragmentos, apenas restando o frasco que era menos vazio e levava menos coisas...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

olhei-te em razão
vi senão nada, outras a-formas
tuas desrazões.
olhei-te em amor
vi estradas, 
razões
cantares. 

sábado, 13 de julho de 2013

o pão nosso de poesia nos dai hoje
perdoai nossas cegueiras
assim como nós queremos aprender o impossível da vida
não nos deixeis cair na sedução das coisas mais fáceis
mas livrai-nos de toda rudeza. amem.
Ontem choveu na minha terra e hoje o céu amanheceu limpo, claro, lavado. Colorido apenas de anil. Sobral estava fria como aguinha de riacho... assim quando agente toca pela primeira vez o pé no açude de manhãzinha. Saí de casa muito cedo, mas com tamanha singeleza, fui maneirando o freio do veículo para não chegar onde deveria ir: trabalho, obrigações. Pois eu ja Estava, não precisava Ir para canto algum.

domingo, 5 de maio de 2013

O lugar que o sol nunca nasceu



Foi depois. Havia tantas montanhas por aquelas terras que nem se sabia por onde os pés poderiam calcar o solo, se não fosse por entre pedras. Foi depois de tantos tempos... 
O vento batia nas portas fechadas, nuvens habitantes de solos, noite escura sempre. Vazio. Alí o sol nunca nascia, na pequena vila, tão longe dos outros montes, as casas tão fechadas ao perigo da madrugada tão prolongada. 
Somente se podia ver um minúsculo ponto no ponto mais alto da montanha: um vigia com um candeeiro olhava para o nascente querendo ver a aurora. 
Mas como pode um lugar do planeta Terra nunca se ver o sol? Nunca se ouviu falar dessa história. De tão longe que era, o sol não alcançava e era dito para aquele povo que havia algo que nem um disco de fogo, quente que se movimentava pelo céu. Como sempre era noite, as pessoas dormiam e o vigia viria dar a notícia ao povo do dia quando os raios solares pintarem naquelas rochas e ele estava alí na choupana, vigiando. 
- Os raios estavam vindo, diziam as pessoas, o tempo era lento... não se poderia cobrar velocidade do sol, já que era tão pesado e as montanhas eram inúmeras. Ele precisava de carros, bois e jumentos para arrasta-lo. Ora, seria um privilégio se ele tocasse aqueles lugares, nem se sabe se o tal de sol queria chegar ate la. Será que o sol precisa de cordas, quanto é a passagem para ele vir? Perguntavam as pessoas.
Até que uma dessas noites, o horizonte começou a matizar e o vigia que passara tantas noites acordado com o candeeiro na mão, pegou o sino e foi descendo a montanha escarpada, para avisar aos da vila que um dia estava nascendo e gritava com regozijo:
- Acordem meu povo, o sol está vindo! Venham ver!
Logo logo as portas se abriam e as pessoas se espalhavam pelas vielas, por cima dos galhos das árvores para ver o tal de sol.
- Acordem meu povo, o sol está vindo! Venham ver!
As pessoas olhavam para o céu escuro para ver o dito astro, mas voltaram para suas casas aos poucos, sem felicidade alguma. Eles estavam cegos de tanta escuridão.
- É verdade! o sol nunca há de nascer por estas terras, lamentavam as pessoas...


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Lugar de origem

Perguntaram-me onde nasci. 

Nascer se nasce várias vezes e em diversos lugares durante a vida.
É necessário percorrer os lugares, não somente com sandálias, mas com a alma.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A cartografia do beijo

Sempre tive uma mania de querer guardar coisas que gostasse: fotografias, caixas, memória, email. Guardo as conchas das praias que fui, pedras dos sertões que me encheram de alegria. Colecionar pequenas amostras do que mostra sua beleza. Foi nessa intenção que pensei em levar comigo algumas coisas que não posso guardar na mala. Então tive a vontade de guardar o toque do beijo para senti-lo quando eu estiver olhando para o céu ou nos momentos antes de dormir... 
Nesses momentos em que o beijo se fizesse real e presente, sentia, fazia memória, guardar a translucidez, o contato que passa rasante a palavra, mas que voa.
Porém era necessário cada vez mais o mais que captasse de novo, de novo. De novo. Vem. Doma. Aconchega. Olha nos olhos. Contorna o lábio, fecha o olhos... nada mais a dizer...
Assim como o sol necessita nascer todos os dias, é necessário que o beijo se perpetue. Onda incessante que lambe a praia.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

cartilha

Eu também caminhei entre montanhas
e vi coisas que não posso dizer:
os abismos ensinam quem quer crescer
faço como os profetas da bíblia:
multiplico meus parcos sonhos
em tempos de secura
peixes e pães, maná do deserto, palavras
multiplico nas montanhas.
também tenho visões, clarividências:
por do sol, nuvens das serras, cume dos cerros
lugares onde o humano não toca com as mãos
 
são esses horizontes
são cartilhas de (para) onde devo seguir...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O que é isso que chamamos de alma 
que é fonte inebriante
mar que nos carrega longe?
que é isso que arrebata, faz destino, queima
O que é isso que a alma se encarna
se transforma em amor e paixão?
ou beijo...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

dunas e sabedoria

Não irei me demorar aos ouvidos surdos
e aos homens que a sabedoria é inseto insignificante
porque até os grãos de areia sonham a permanência
e se transformam em dunas...

sábado, 12 de janeiro de 2013

Arrepio de leve
comoção pública
fogos de artifício
na beira da praia
esperando ondas benfazejas

Reveillon in Jericoacoara Beach
o desejo não tem origem
é ressaca do mar
lambe os meus pés
para arrastar para os seus mares